Denúncia contra vândalos na reserva de Dourados

foto: Jaqueline Gonçalves Porto

Comunidade indígena, funcionários da SESAI e AJI/GAPK denunciam vandalos na Reserva de Dourados

Comunidade indígena denuncia vândalos que entraram pela décima vez no Posto de saúde indígena GUATEKA na aldeia Jaguapiru em Dourados/MS. Romilda Martins, enfermeira, disse que vândalos levaram geladeira e estragaram os equipamentos que os médicos usam para atendimento a comunidade indígena, por conta de tantos assaltos ela conta que agora o posto de saúde encontra-se mais precário do que se encontrava. Em 2014 foi feito uma reforma no PS GUATEKA, três anos depois em 2018 o posto de saúde está com infiltrações por toda parte, as ultimas portas e cadeados que foram instaladas no postinho de saúde foi paga com dinheiro de funcionários. Essa situação é emergencial, segurança, grade de ferro, respeito, denunciem os vândalos e chamando atenção da prefeita de Dourados para os vigias assumirem  eram as palavras e cartazes da comunidade indignado com tanto vandalismo na Reserva de Dourados.

A comunidade indígena da Jaguapiru, a AJI (Ação de Jovens Indígenas de Dourados) e GAPK (Grupo de Apoio aos povos Indígenas) pede mais segurança e exige da prefeita de Dourados Delia Razuk que chamem os concurseiros que passaram para vigilantes para assumir e trabalhar nos postos de saúde indígena onde não tem vigia, como no PS GUATEKA. A AJI/GAPK e a comunidade indígena da Jaguapiru também vem reforçar o pedido dos funcionários que é uma grade de ferro nas portas e janelas para dar mais segurança ao PS GUATEKA .

Comunidade indígena DENUNCIEM OS VANDALOS! O POSTO DE SAÚDE É A NOSSA CASA! RESPEITO É O QUE QUEREMOS COM O QUE É NOSSO!

Falta água na aldeia!!!

Uma problemática história que é recorrente na Reserva Indígena de Dourados que caracteriza um desprezo tanto do estado quanto do município e dos órgãos responsáveis pelo saneamento básico da mesma.
Mesmo estando muito próximo a cidade, somente a 5 km, a RDI não tem o que lhe é de direito constitucional, além disso, o respeito aos Direitos Indígenas. De acordo com acadêmico de Direito Gilmar Rios, isto é uma violação dos Direitos `a vida, da sobrevivência digna e portanto uma clara violação aos Direito Fundamentais, onde chegamos!!!!!!!!!
Estamos sem água, algo novamente, uma vergonha, pois ameaça a saúde da população indígena, ou seja a nossa saúde…..Que situacão. 
Mais de 100 famílias estão com as torneiras sêcas, familiares estão recorendo a córregos, açudes de criação de peixe. A água tirada destes locais são usadas para lavar  roupas e louças além dos desejos de lixo. Já que não ocorre a coleta de lixo dentro da mesma.
Temos uma situação grave de saúde pública…onde querem nos levar? Ao extermínio?
Nos respondam autoridades responsáveis!

Jovens da Escola Castro Alves e da AJI participam de palestra sobre Direitos Humanos, Juventudes e Sociedades (nte dourados)

29.08.2017 - Zélia Cordeiro (via NTE Dourados)

Dourados (MS) – Jovens dos 9ºs anos da Escola Estadual Castro Alves, localizada no município de Dourados (MS), e jovens da AJI (Ação dos Jovens Indígenas de Dourados/MS) participaram, no dia 24 de agosto, da palestra “Direitos Humanos e o Lugar dos Jovens”, ministrada pela professora Ana Cláudia de Souza, membro da AJI e responsável por oficinas de fotografia e pela antropóloga Drª. Maria de Lourdes Beldi de Alcântara, pesquisadora e consultora – International Work Group for Indigenous Affairs (IWGIA) -, coordenadora do Grupo de Apoio aos Jovens Indígenas do Mato Grosso do Sul – AJI/GAPK, professora da disciplina Antropologia Médica da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo; observadora e consultora do fórum Permanente das Questões Indígenas da ONU.

A palestra faz parte do Ciclo de Debates: Juventudes, Sociedades e Histórias, organizado pela equipe pedagógica da unidade escolar, e coordenado pelas professoras Simone Anselmo Girão (Mestre em História Regional), Susana Spanivello Barbosa (Especialista em Antropologia e História dos Povos Indígenas) e Rosa Santos de Lima (Especialista em Educação Infantil) da área de História; e pela professora Eliane Martinez Arrevalos (Especialista em Língua Espanhola e Literatura) da área da Língua Portuguesa.

O Ciclo de Debates tem como objetivo possibilitar reflexões acerca das juventudes, dos grupos sociais e das histórias que fazem parte do contexto de formação do Estado de Mato Grosso do Sul, bem como, promover momentos de diálogos entre os jovens, e entre os jovens e os seus formadores sobre as temáticas relacionadas às questões étnicos raciais e interculturais.

Índios da Bororó saem em defesa de sitiantes e impedem invasão

Por: Flávio Verão - O Progresso - Dourados, 24/07/2017 (foto: Hedio Fazan)

Esta cada vez mais tenso o conflito na região da perimetral norte onde abriga pequenas propriedades rurais, todos vizinhos a aldeia Bororó, em Dourados. Donos de sítios e chácaras ganharam aliados na briga pelas terras. Trata-se de moradores da própria aldeia que se dizem cansados com as invasões provocadas por indígenas que vieram de outros municípios e até de índios de Dourados, mas que seriam da aldeia Jaguapiru.

As duas aldeias são vizinhas uma da outra e estão localizadas entre as cidades de Dourados e Itaporã. No domingo, grupo de aproximadamente 50 indígenas que já ocupam parte de sítios vizinhos a Bororó decidiu invadir à força a chácara Morada do Sol. Houve confronto e três homens da mesma família foram feridos a golpes de facão e de madeira.

A dona da chácara, Beatriz Figueiredo, diz que o conflito teve início por volta das 15h quando o ex-marido e dois genros foram recolher os animais soltos no pasto, sendo surpreendidos por indígenas que os ameaçaram. A partir daí, conforme relatou a proprietária, mais indígenas adentraram a chácara e munidos de facão e pedaços de madeira passaram a bater no ex-marido e nos genros, deixando um deles com o braço quebrado e cortado, sendo necessário passar por cirurgia. O outro teve os dedos das mãos fraturados. “Foi tudo tão rápido, começaram a lançar fogos, rojão, teve até tiros e depois incendiaram o pasto”, disse Beatriz.

A vizinha dela,Tercília Rosa, também teve o sítio ocupado, assim como a propriedade de João Vieira, no entanto, foi na chácara Morada do Sol que o conflito ocorreu, com ameaça de ocupar a residência. Isso só não ocorreu porque indígenas da aldeia Bororó interferiram. “Vamos montar guarda aqui e se preciso será derramado sangue”, disse a Guarani-Kaiowá Rosiane dos Santos.

Ela é uma dos dezenas de indígenas da Bororó que protegem a chácara contra os índios invasores, que segundo ela, são da etnia Terena, sendo parte da aldeia vizinha Jaguapiru enquanto outros vindos de cidades da região como Caarapó, Amambai, Glória de Dourados. “Por causa deles todos os índios são marcados como invasores. Já somos discriminados e isso daí prejudica ainda mais a gente”, disse ela, que fala em nome dos índios que prometem manter acampamento na chácara enquanto o conflito durar. “Esses índios que invadiram os sítios tem carrões, sabemos que alguns são professores, advogados e nem são índio puro”, reiterou Rosiane.

A Polícia Federal compareceu no domingo durante o conflito, mas segundo os sitiantes não adentrou nas terras, ficaram na rodovia. Como houve agressão física, a Polícia Militar entrou. Segundo o comandante Carlos Silva, embora o caso agora seja mais complexo, por envolver conflito de terras e rixa entre comunidades indígenas, sendo o caso de responsabilidade do governo federal, equipes da PM farão rondas no local até o clima aliviar.

A briga pelas terras que está na justiça há um ano e meio passa a ter novo capítulo. Agora são índios contra índios e a rixa passou a ser da etnia Guarani-Kaiuwá contra Terena. Os donos das áreas resistem ficar no local, mas sentem insegurança.

Jornalista que escreveu “índio bom é índio morto” é condenado a pagar multa

Dourados News - 13/07/2017 17h05

A 2ª Vara Federal em Dourados julgou procedente ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público Federal e condenou o jornalista Walter Navarro ao pagamento de indenização fixada em R$ 50 mil por dano moral coletivo, pois considerou que o comunicador extrapolou a liberdade de expressão ao veicular conteúdo ofensivo e pejorativo contra os índios Guarani-Kaiowá.

O fato ocorreu em artigo publicado em 2012, no webjornal O Tempo, de Minas Gerais e resultou em polêmica e na demissão do profissional.

Para o juiz federal, o texto, intitulado “Guarani-Kaiowá é o c… Meu nome agora é Enéas p…”, foi escrito em tom “evidentemente discriminatório”, o que gerou prejuízo à imagem e à moral dos indígenas.

Na publicação, Navarro, ao contestar o movimento Somos Todos Guarani-Kaiowá, reportou-se aos índios como “insuportáveis”, “incestuosos” e “flatulentos”. O autor defendeu que “índio bom é índio morto” e classificou as mulheres indígenas como “libidinosas”.

Na época de sua veiculação, o conteúdo gerou polêmica entre os leitores, resultando na demissão do jornalista e na retratação pública do jornal. O MPF chegou a pedir explicações a Navarro, que alegou “caráter humorístico” do texto. Contudo, na visão da Justiça, o artigo ultrapassou a esfera da mera crítica ou humor.

“A liberdade de expressão não pode ser aplicada para amparar expressões capazes de denegrir e incitar o ódio contra minorias e grupos populacionais que, em pleno 2017, lutam para ver garantidos seus direitos mínimos, como é o caso dos índios”, afirmou o magistrado.

Walter Navarro deve pagar indenização de R$ 50 mil pelo dano moral coletivo causado. O montante será revertido em programas de saúde e de educação na Reserva Indígena de Dourados.